Mensagens atribuídas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), apontam que ele teria mantido uma relação de amizade com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a quem teria chamado de “irmão” e “meu amor”. As conversas foram divulgadas nesta quinta-feira (24) pela revista Veja e pelo jornal Folha de S.Paulo.
Em nota enviada à Gazeta do Povo, o senador negou as informações, afirmou que as mensagens são de teor pessoal e “não indicam ilegalidade alguma” e prometeu adotar medidas judiciais. (Veja a manifestação completa abaixo).
Após Alcolumbre ser eleito presidente do Senado, Vorcaro o parabenizou e o senador teria respondido: “Fala meu amor! Muito obrigado por tudo, em especial pelo seu carinho e amizade fraterna! Gratidão! Sou seu irmão!!! Pra vida toda!!”.
O ex-banqueiro teria enviado cinco emojis de coração e dito: “E eu seu [irmão]. A qualquer tempo pra qualquer coisa. Nunca vou esquecer”. A reportagem detalha ainda que a suposta relação incluía a organização de festas privadas com bebidas e a contratação de mulheres trazidas da Europa.
O ex-ministro das Comunicações Fábio Faria seria o responsável por intermediar o contato entre o senador e o ex-banqueiro em grupos de mensagens. Em um dos eventos citados, Vorcaro teria dado instruções de traje e horários diretamente a Alcolumbre para garantir a privacidade dos participantes.
Em nota enviada à revista Veja, Faria afirmou que as conversas sobre reservas de suítes em hotel tratavam-se de viagens corporativas entre empresários para avaliar investimento em um clube de futebol inglês e não tinham qualquer relação com Alcolumbre. (Veja a nota completa abaixo).
O presidente do Senado ignorou os pedidos de instalação de uma CPI para investigar o Master. Diante da resistência, parlamentares da oposição acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar abrir a comissão.
A Veja relembrou também que a defesa de Vorcaro chegou a propor um acordo de delação premiada à Polícia Federal no qual prometia detalhar o suposto repasse de US$ 30 milhões a Alcolumbre em uma conta secreta no exterior. Na ocasião, o acordo não foi aceito pelas autoridades e o senador negou qualquer irregularidade ou proximidade com o empresário.
As investigações também apontaram ramificações do caso Master, envolvendo a Amapá Previdência (Amprev), que tinha como conselheiro o irmão de Alcolumbre e era presidida pelo ex-tesoureiro de sua campanha.
A Amprev investiu R$ 400 milhões no Master e foi alvo de operações da Polícia Federal em fevereiro e março deste ano. O caso apura influência política e a pressa em aprovar aportes de alto risco que comprometeram o fundo dos servidores.
Alcolumbre diz ser alvo de tentativa de intimidação
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que é alvo de uma tentativa de intimidação e prometeu que “irá até às últimas consequências, dentro da lei, para que a verdade seja integralmente esclarecida”.
“O presidente do Senado sabe de onde partiram essas falsas acusações e quais interesses estão por trás dessa ofensiva. Não se intimidará diante de ataques, pressões ou tentativas de atingir sua honra e sua trajetória pública”, afirmou.
O senador reforçou que aciona a Justiça para identificar e responsabilizar “aqueles que estiverem por trás desse ataque baixo”. Ele também criticou a revista Veja, acusando a publicação de fazer o que classificou como “sensacionalismo barato”.
“Se fazem isso com um chefe de Poder, é de se imaginar o que estão a fazer com outros indivíduos e instituições. No entanto, não conseguirá intimidar a Presidência do Congresso Nacional com esse expediente”, ressaltou.
Veja a íntegra da nota de Alcolumbre
“A Revista Veja promove mais um injusto ataque ao Presidente do Congresso Nacional, dessa vez lançando mão de supostas mensagens de teor pessoal, inclusive de terceiros, que não indicam ilegalidade alguma.
Esse sensacionalismo barato, movido por interesses ilegítimos, veio acompanhado da mais absoluta falta de ética da revista, que não cumpriu a regra básica de checar a informação e ouvir a parte atingida. Se fazem isso com um chefe de Poder, é de se imaginar o que estão a fazer com outros indivíduos e instituições.
No entanto, não conseguirá intimidar a Presidência do Congresso Nacional com esse expediente.
O presidente do Senado sabe de onde partiram essas falsas acusações e quais interesses estão por trás dessa ofensiva. Não se intimidará diante de ataques, pressões ou tentativas de atingir sua honra e sua trajetória pública. Irá até as últimas consequências, dentro da lei, para que a verdade seja integralmente esclarecida e para que sejam identificados e responsabilizados aqueles que estiverem por trás desse ataque baixo.
Medidas judiciais serão tomadas, não só para reparação dos danos causados, mas para a reposição da verdade.”
Veja a íntegra da nota de Fábio Faria à Veja
“O empresário Fabio Faria esclarece que a conversa citada pela Veja tratava de reservas de 4 suítes de hotel de uma viagem para Londres com outros quatro empresários, que avaliavam uma possível sociedade minoritária no Queens Park Rangers, clube da segunda divisão inglesa. A negociação não prosperou.
O assunto não tem relação alguma com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que em nenhum momento foi cogitado para essa viagem. A única vez que o empresário encontrou Davi Alcolumbre fora do Brasil foi em outubro de 2023, durante um evento empresarial em Paris.”





