Grupo sinaliza concessão parcial em negociações; proposta não inclui desmonte do braço militar exigido por Israel
O Hamas indicou estar disposto a abrir mão de parte de seu arsenal na Faixa de Gaza, em um gesto que pode influenciar as negociações por um cessar-fogo duradouro no território. Integrantes da liderança política do grupo afirmaram que milhares de fuzis automáticos e outras armas usadas por forças policiais e de segurança interna poderiam ser entregues a um comitê administrativo apoiado pelos Estados Unidos.
A proposta representa uma mudança relevante na posição do grupo, que até então resistia publicamente a qualquer tipo de desarmamento. Segundo os próprios integrantes, o armamento seria transferido ao órgão responsável por administrar Gaza sob supervisão do Conselho da Paz, iniciativa internacional liderada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), para acompanhar o cessar-fogo. As informações são do New York Times.
Apesar da sinalização, o plano não contempla o desmonte do braço militar do grupo terrorista Hamas, que concentra a maior parte do arsenal do grupo, incluindo dezenas de milhares de fuzis e armamentos mais pesados, como foguetes antitanque. Esse ponto segue como um dos principais impasses nas negociações, já que Israel exige a desmilitarização completa da Faixa de Gaza.
As declarações foram feitas de forma reservada por integrantes do Hamas baseados em Gaza, durante tratativas realizadas no Cairo ao longo da última semana. O grupo tem limitado a comunicação direta com a imprensa internacional desde o ataque de 7 de outubro de 2023, que deu início à atual guerra, por receio de monitoramento por Israel.
Analistas avaliam que o movimento pode representar uma concessão inicial ou uma tentativa de aliviar a pressão internacional. Para o professor de ciência política Mkhaimar Abusada, da Universidade Al Azhar, atualmente no Cairo, a entrega de armas da polícia pode abrir espaço para negociações mais amplas sobre o restante do arsenal.
O Hamas também indicou ter concluído preparativos para transferir o controle administrativo de Gaza ao novo comitê, que ainda opera provisoriamente a partir do Egito. Autoridades locais afirmaram que nomeações e promoções foram suspensas como parte do processo de transição, e que integrantes do grupo podem ser incorporados à futura estrutura de governo.
A organização não detalhou qual papel pretende desempenhar na nova administração, mas sinalizou que continuará atuando na política palestina e mantendo a resistência contra Israel enquanto não houver um Estado palestino independente.
No território, a possibilidade de um novo acordo convive com o temor de escalada militar. Com Israel afirmando que pode desarmar o grupo terrorista Hamas à força, moradores expressam cansaço com o conflito. Um palestino deslocado, que perdeu duas filhas em um ataque aéreo, disse querer o fim dos combates e defendeu tanto a retirada das tropas israelenses quanto a entrega das armas pelo grupo.





