O democrata James Talarico deve conquistar uma cadeira no Senado pelo Texas, derrotando o republicano Ken Paxton e garantindo ao seu partido a primeira grande vitória no Estado da Estrela Solitária em décadas, segundo projeção do Decision Desk HQ (DDHQ).
Trata-se de um momento extremamente importante para os democratas, tanto porque o partido finalmente conquista uma grande vitória em um estado fundamental para as eleições presidenciais quanto porque o resultado o aproxima da possibilidade de obter a maioria no Senado.
O partido precisa conquistar um saldo positivo de quatro cadeiras para recuperar a maioria e, no início do ano, uma vitória no Texas parecia uma possibilidade remota.
O resultado também representa um enorme golpe para os republicanos em geral e, especificamente, para o presidente Trump, que apoiou o controverso Paxton contra o senador John Cornyn, republicano do Texas que buscava a reeleição, em um disputado segundo turno das primárias republicanas.
Muitos republicanos consideravam Cornyn uma escolha muito mais segura e acreditarão que, ao apoiar Paxton, que derrotou Cornyn com facilidade nas primárias após receber o endosso presidencial, Trump ajudou a entregar uma vitória histórica aos democratas.
Talarico, deputado estadual de 37 anos, era visto como a melhor oportunidade dos democratas em anos para romper o domínio republicano sobre os cargos eleitos em âmbito estadual.
A campanha moderada de Talarico concentrou-se em uma mensagem de união, destacando sua fé e sua experiência como seminarista presbiteriano e ex-professor de escola pública. Ele foi um dos deputados estaduais democratas que deixaram o Texas no ano passado na tentativa de impedir o avanço de um redesenho dos distritos eleitorais favorável aos republicanos. Sua candidatura provocou comparações com o democrata Beto O’Rourke, que ficou a poucos pontos percentuais de derrotar o senador Ted Cruz, republicano, em 2018.
Às vésperas da eleição, o democrata aparecia com uma pequena vantagem nas médias das pesquisas do DDHQ, e as projeções indicavam que ele era ligeiramente favorito à vitória, depois de arrecadar impressionantes US$ 64 milhões no terceiro trimestre do ano, em comparação com os US$ 18 milhões arrecadados por Paxton.
Mas vários democratas, que haviam testemunhado tentativas anteriores de vencer no Texas fracassarem, não estavam preparados para acreditar que seu partido conseguiria conquistar a cadeira no Senado até verem o resultado se concretizar.
Paxton era uma escolha controversa para o Senado devido a um longo histórico de escândalos. Como procurador-geral do estado, enfrentou críticas por politizar o cargo e passou por um processo de impeachment em 2023, relacionado a acusações de corrupção, do qual acabou absolvido. Sua esposa, com quem estava casado havia quase quatro décadas, pediu o divórcio no ano passado, alegando “motivos bíblicos”.
Enquanto enfrentava dificuldades para reduzir a vantagem de Talarico nas pesquisas antes da eleição, Paxton foi um dos principais focos da primeira convenção de meio de mandato da história do Comitê Nacional Republicano, realizada em Dallas. Posteriormente, porém, afirmou que a convenção “derrubou nossos números”, segundo um áudio vazado pelo The New York Times em setembro.
Trump, cujo próprio índice de aprovação foi prejudicado pela insatisfação com a economia e com a guerra no Irã, demonstrou certo desânimo ao defender Paxton durante seus discursos de campanha. O presidente afirmou que Paxton era “um pé no saco” e “um pouco controverso”, embora tenha pedido aos eleitores texanos que votassem no republicano.
Enquanto isso, os republicanos tentaram retratar Talarico como progressista demais, destacando declarações controversas feitas por ele no passado, que o democrata posteriormente procurou esclarecer.
Mas isso não foi suficiente para manter o controle da cadeira que Cornyn havia conquistado com facilidade em todas as eleições desde 2002.
Os dois adversários nunca se enfrentaram em um debate, embora tanto Talarico quanto Trump tenham defendido a realização de um.
A disputa no Texas foi uma das mais caras deste ciclo eleitoral. O MAGA Inc., grupo político ligado a Trump, investiu US$ 10 milhões na corrida no início de setembro, enquanto o magnata da tecnologia Elon Musk destinou US$ 158 milhões a um importante super PAC que apoiava Paxton, segundo documentos apresentados antes da eleição.
Em outubro, Talarico acusou Musk de tentar “comprar seu próprio senador dos Estados Unidos”.
O democrata, no entanto, venceu também com o apoio significativo de figuras republicanas que não conseguiram se convencer a votar em Paxton, incluindo Neil Bush, irmão do ex-presidente George W. Bush, e o advogado especializado em ações de indenização por danos pessoais Thomas J. Henry, que anteriormente havia sido doador de Paxton.





