Terreno ligado a Jaques Wagner valorizou 115 vezes depois de projeto de sua gestão

Área foi vendida pelo senador por R$ 15 milhões, depois de ter sido adquirida em 2000 por apenas R$ 28 mil

Uma área de 51 mil metros quadrados próxima a Salvador, na Bahia, foi vendida pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) por R$ 15 milhões, depois de ter sido adquirida em 2000 por R$ 28 mil. A valorização é de 11.400% em 26 anos, impulsionada pela construção da Via Metropolitana, cuja obra foi iniciada durante seu governo (2007-2014). A transferência do terreno foi suspensa em 25 de junho pelo STF, no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades.

Uma área de 51 mil metros quadrados situada entre a Via Metropolitana e o Rio Joanes, próxima a Salvador, na Bahia, foi vendida pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) por R$ 15 milhões, depois de ter sido adquirida em 2000 por apenas R$ 28 mil.

A valorização do terreno, que chegou a 11.400% em 26 anos, ocorreu depois da construção da Via Metropolitana, rodovia cujo projeto foi contratado durante o período em que Wagner comandou o governo da Bahia entre 2007 e 2014.

O terreno, equivalente a sete campos de futebol, era originalmente parte de uma área maior da Traneves Patrimonial. Ela tem entre os sócios Alex Grangeon Trancoso Neves, também envolvido no empreendimento Lagoons, integrado ao novo centro de treinamento do Esporte Clube Bahia.

O projeto residencial foi anunciado em abril deste ano, com parceria entre o City Football Group, QPC Incorporadora e Grupo Terere. A construção ocorrerá em uma região que se consolidou como novo eixo urbano desde a inauguração da Via Metropolitana, em 2018.

Em entrevista à rádio Andaiá FM nesta sexta-feira, 24, Jaques Wagner afirmou ter perdido parte do terreno por causa da rodovia e que não buscou indenização. “Sobre o terreno, dá até vontade de rir, porque o terreno talvez tenha sido a única obra feita na Bahia para benefício dos baianos que não teve pago desapropriação”, disse.

“A estrada passou pelo traçado que os engenheiros acharam melhor, cortou lá um pedaço do terreno e eu digo ‘não vou cobrar nenhuma desapropriação’. É óbvio que tudo se valoriza em 26 anos.”

Bloqueio judicial e investigação contra Jaques Wagner

A transferência do terreno foi suspensa em 25 de junho por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão ocorreu no contexto da nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades no Banco Master. O ministro determinou restrições a atividades econômicas de Wagner, bloqueando bens, contas e valores.

O empreendimento residencial e o centro de treinamento do Bahia estarão em área que até o ano passado mantinha vegetação preservada e poucas construções. Recentemente, máquinas começaram a preparar o local para as novas edificações, que prometem ser referência de alto padrão na região.

O projeto da Via Metropolitana teve início com estudos em 2011, ainda sob o governo Wagner. Sua viabilidade ocorreu com aditamento do contrato com a concessionária Bahia Norte, então controlada por OAS e Odebrecht. A assinatura do contrato de extensão ocorreu em setembro de 2014, ampliando o prazo de concessão para 30 anos. As obras tiveram início em janeiro de 2015, já na gestão de Rui Costa (PT), e ficaram prontas em 2018 depois de investimento de R$ 220 milhões.

Crédito Revista Oeste

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