Roberta Luchsinger é investigada por suposto elo financeiro entre Fábio Luís Lula da Silva e Antônio Camilo Antunes
Os próximos passos da Polícia Federal (PF) no inquérito sobre fraudes no INSS dependem de esclarecimentos da empresária Roberta Luchsinger, investigada por suposto elo financeiro entre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o lobista Antônio Camilo Antunes, chamado de Careca do INSS. A corporação aguarda o depoimento de Roberta para decidir se convoca o filho do presidente Lula (PT) a depor, afirmou o jornal Folha de S.Paulo.
A PF intimou mais de 30 pessoas na última semana para investigar desvios previdenciários. Roberta, sócia da RL Consultoria e Intermediações, já foi alvo de mandados de busca e aparece como intermediária de pagamentos suspeitos. Os investigadores apuram se Lulinha teria recebido uma mesada de R$ 300 mil, mas evitam ampliar a quebra de sigilo ao ponto de atingir empresas ligadas ao filho do presidente.
Lulinha teve seus sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Polícia Federal. Os dados levantados passam por perícia para verificar se há fundamento nas conversas que mencionam o filho do presidente como beneficiário de recursos vindos do esquema.
Defesas e depoimentos
A defesa de Lulinha nega envolvimento com fraudes no INSS e afirma estar pronta para colaborar com o STF. “Caberá às autoridades determinar a necessidade de um depoimento depois dos esclarecimentos e as oitivas em curso, o que aguardamos com absoluta tranquilidade e a mesma intenção colaborativa e disponibilidade”, afirmou o advogado Guilherme Suguimori Santos.
Segundo depoimento do ex-funcionário Edson Claro, Antunes realizava pagamentos mensais de R$ 300 mil a Lulinha e demonstrava publicamente proximidade com ele. Até o momento, a quebra de sigilo não identificou transferências diretas de Antunes para Lulinha, mas a PF detectou pagamentos desse valor à empresária Roberta Luchsinger, e busca saber se ela repassou recursos ao filho do presidente.
Operação Sem Desconto e movimentações financeiras
A apuração faz parte da Operação Sem Desconto, aberta em abril de 2025 e que já está na metade final, segundo a corporação. O foco são operadores e possíveis beneficiários do esquema, incluindo advogados. Delações premiadas seguem em negociação, entre elas com o empresário Maurício Camisotti, preso em setembro passado com Antunes e um dos principais nomes do esquema.
Em etapa anterior, a PF identificou transferências de R$ 300 mil, ordenadas por Antunes à empresa de Roberta, totalizando R$ 1,5 milhão em parcelas. Em mensagens interceptadas, Antunes pede que um operador financeiro envie a quantia à RL Consultoria e Intermediações e, ao ser questionado, afirma que seria “o filho do rapaz”, recebendo comprovante do pagamento em seguida.
Na época, a PF considerava que o destinatário poderia ser Lulinha, ao levantar a hipótese de sociedade oculta com Antunes. A defesa de Roberta sustenta que a empresa dela apenas prospecta negócios e intermediou, no ano passado, tratativas com a Brasília Consultoria Empresarial S/A, de Antunes, para atuar no setor de canabidiol, sem que os negócios tenham avançado e antes da descoberta dos desvios no INSS.
Foco das investigações atuais
Os investigadores agora tentam entender se Roberta teria pago despesas ou viagens de Lulinha com dinheiro que recebeu de Antunes. A defesa da empresária declarou novamente que ela está à disposição para colaborar. “Temos todo interesse que ela se explique”, afirmou a defesa.
Crédito Revista Oeste





