Presidente do TST diz ser “vermelho” que atua por uma “causa”

Em congresso da magistratura, o ministro afirmou que a Justiça do Trabalho deve atuar contra ‘capitalismo selvagem’

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, afirmou ser um juiz “vermelho”, que defende uma “causa”, durante discurso no encerramento do 22º Congresso Nacional da Magistratura do Trabalho (Conamat), realizado na última sexta-feira, 1º, em Brasília.

Apesar de afirmar inicialmente que “não tem juiz azul nem vermelho”, o ministro adotou ao longo da fala uma distinção entre aqueles que atuariam por “interesses” e os que teriam uma “causa”. Ao se incluir no segundo grupo, disse: “Nós, vermelhos, temos causa. Não temos interesse. E que fique bem claro isso para quem fica divulgando isso aqui no país”.

Em outro trecho, ele explicou o que seria a “causa” dos “vermelhos” na Justiça do Trabalho. “Nós temos uma causa, e eles que se incomodem com a nossa causa, porque nós vamos estar lá lutando o tempo todo na defesa da nossa instituição e das pessoas vulneráveis”, declarou. “E a Constituição nos dá o poder para isso.”

Presidente do TST confessa que ele e a maioria dos juízes do trabalho do país militam por uma causa (são os vermelhos contra os azuis, nas suas próprias palavras), não julgam de acordo com a lei, mas para fazer justiça social. É um discurso de provocar náuseas. 🤮 pic.twitter.com/0JRtFzVrSR— João Luiz Mauad (@mauad_joao) May 3, 2026

O evento reuniu mais de 300 participantes e discutiu temas como inteligência artificial, trabalho protegido, precarização, informalidade e os impactos das mudanças tecnológicas nas relações de trabalho. Também houve painéis sobre a chamada “crise climática” e seus efeitos no mercado laboral.

No discurso, Mello Filho voltou a defender a Justiça do Trabalho de críticas que a classificam como entrave ao desenvolvimento econômico, o que chamou de “terraplanismo jurídico”. Ele também criticou a pejotização, que definiu como “fraude”, e manifestou apoio à atuação sindical.

TST não deve se limitar à aplicação estrita da lei, diz presidente

Vieira de Mello Filho afirmou ainda que a Justiça do Trabalho não deve se limitar à aplicação estrita da lei, mas exercer papel ativo na regulação das relações entre empresas e trabalhadores. Segundo ele, o ramo do Judiciário deve atuar como instrumento de contenção ao que classificou como “capitalismo selvagem e desenfreado”.

Mello Filho assumiu a presidência do TST em setembro do ano passado. Na ocasião, já havia feito críticas a mudanças na legislação trabalhista promovidas em gestões anteriores, especialmente as que, segundo ele, restringiram o acesso à Justiça. “Não deveríamos ser artífices da retirada dos direitos daqueles que mais precisam deles”, disse em seu discurso de posse.

A Lei Orgânica da Magistratura Nacional, em consonância com a Constituição Federal, proíbe a atuação político-partidária de magistrados. O texto constitucional, no artigo 95, é explícito ao estabelecer que é proibido ao juiz “dedicar-se à atividade político-partidária”, o que, na prática, impede filiação a partidos, participação em campanhas eleitorais e manifestações públicas de apoio a candidatos ou legendas.

Crédito Revista Oeste

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